PDFs on-line

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No artigo anterior, vimos um programa open source de diagramação, o Scribus.

Vou separar este artigo em 2 partes. A primeira, uma aplicação possível de PDFs online sem ser como e-books e afins. E a segunda, sobre e-books, e-zines, e-editoras, e-etc.

PDFs diagramação

Os PDFs podem ser embed (inseridos em um post de blog, por exemplo) assim como os vídeos do Youtube ou as músicas do Blip. Um dos mecanismos mais simpáticos de fazer isso é usando o Scribd, que tem até mesmo a opção do seu PDF ser aberto com as páginas no estilo pageflip.

Um uso meio óbvio é o de organizar um portfólio. Podemos criar “books” como os fotógrafos fazem e publicá-los em um blog sem muita dificuldade, ainda com a vantagem de já estar pronto para impressão se for necessário.

Outra utilização que pode ser interessante é a publicação de documentos que exigem uma determinada formatação rígida, como atas de uma associação ou pareceres jurídicos.

Ou ainda, criar uma seção de downloads no seu site com agendas para o ano seguinte, marcadores de página, ou o que mais a sua imaginação criar.

Existem muitos sites que permitem o upload e embed de PDFs, como o Issu ou o Scribd. Antes de começar a fazer upload para todos, vale passear um pouco pelas publicações disponíveis para ver como cada um lida com os PDFs.

Scribd

O Scribd, assim como muitos outros, está tentando criar uma comunidade online, com presença no Twitter e uma página inicial que lembra muito o Facebook, mostrando as últimas atualizações de pessoas na sua lista.

Issu

O Issu, por sua vez, foca mais em periódicos, tanto que em sua home, o destaque é para “Featured magazines”. Se o seu plano é uma revista em PDF gratuita online, certamente este é um bom lugar para se estar. Existem verdadeiras pérolas por lá. Uma das minhas favoritas é a Illustration.

PDFs e-publicação

Que o futuro é e-book, e-zine, e-qualquer-coisa, ninguém duvida, a grande questão é como ganhar dinheiro com isso. Afinal, o escritor precisa pagar suas contas, o ilustrador precisa comer, etc. Algumas soluções começam a aparecer, como a portuguesa (disponível para o Brasil) Bubok, mas existe ainda a questão do trabalho editorial.

Bubok

Antes de mais nada, publicações são necessariamente fruto de um trabalho em equipe. O escritor está preocupado (ou deveria, pelo menos) com a qualidade do que escreve. O ilustrador/fotógrafo/etc se preocupa em dialogar com o texto esteticamente. O diagramador se preocupa em fazer com que estes elementos funcionem juntos. O revisor se preocupa com nossa língua pátria. E quem se preocupa com o conjunto da obra, com posicionamento de mercado, com marca, com tudo isso? O editor! O editor não é fabricante de papel. Ele é fabricante de ideais. E essa função não morre nunca. Acredito pessoalmente que os e-etc ainda não são o padrão justamente porque os autores acham que se podem colocar os seus livros em um blog da vida, não precisam do editor. Estão errados. O resultado é um livro sem unidade, sem posicionamento, sem todo um trabalho de raciocinar o produto final como algo interessante, palatável e vendável. O que acontece no final das contas é uma publicação eletrônica perdida no espaço. Naturalmente existem exceções de profissionais que são ao mesmo tempo autores ou ilustradores e editores, mas não são a maioria e, muito menos, o padrão. A diferença é que agora você não precisa mais de uma sala comercial para fazer isso. Você pode reunir profissionais de sua confiança e criar você mesmo, a um custo muito baixo, uma mini-editora funcional. Ainda não sabemos ao certo o caminho a tomar mas afinal de contas é justamente por causa do leque de possibilidades que você gosta de trabalhar com internet, né?

Segundo o IBGE, 24,5 milhões dos internautas brasileiros não ficam um único dia sem internet e segundo a Intel Brasil, 64% dos internautas brasileiros tem o hábito de comprar online. É uma fatia de mercado muito significante. E esse povo todo é alfabetizado. Esse povo todo lê.

O Scribd lançou nos Estados Unidos um sisteminha de cobrar pelos PDFs. Por enquanto ainda não está disponível no Brasil.

A portuguesa Bubok tem um trabalho bastante interessante, inclusive registrando ISBN* se assim o autor desejar. Ainda percebo alguns problemas práticos nesta solução, além dos conceituais citados acima, como por exemplo tamanhos rígidos ou a venda dos livros impressos sob demanda ser necessariamente em Euros. A grande questão, novamente, não é a solução técnica mas sim a questão editorial. O leitor também sente falta de uma linha editorial definida, um selo sob o qual ele sabe o que encontrar.

Por outro lado o “fetiche do papel” realmente está com os dias contados. Alguma solução há de ter. Enquanto o mercado não se define, você pode ir se preparando para não ser pego de surpresa, como aconteceu com a indústria fonográfica.

* Vale lembrar que o registro do ISBN no Brasil é extremamente simples e fácil.

 

PDFs on-line. Revista Wide Online, 25 set. 2010.

Pintura digital com artweaver

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Talvez uma das coisas que os artistas mais gostem nos programas digitais de pintura seja o undo. Quando a gente está lá com um pincel real na mão e fazemos besteira o ctrl-z faz uma enorme falta.

A pintura digital é uma técnica como qualquer outra (óleo, aquarela, digital, etc). É bastante claro, creio, para todos que cada técnica tem sua aplicação mas o que talvez não seja tão óbvio é que algumas se prestam melhor à experimentação do que outras. E aí, quando falamos de experimentação, poucas ganham da digital.

O sketch (rascunho) nos ajuda a formular o pensamento, nos ensina a olhar e pensar grafica/visualmente. A pintura digital, além de um ótimo instrumento de sketch, é também uma ótima oportunidade de experimentação técnica. A possibilidade de testar a sua ideia em aquarela, óleo, carvão, etc., antes de finalizá-la (não importa se digitalmente ou não) é valiosíssima, tanto em termos de produtividade quanto de raciocínio e aprendizado. Depois você pode escolher finalizar a sua obra no mesmo programa de pintura digital ou, depois de “resolvida”, levá-la ao mundo analógico.

Isso sem esquecer, claro, das já conhecidas vantagens de velocidade e limpeza: não precisamos esperar a tinta a óleo secar e o ambiente não fica fedendo a aguarrás por dias a fio. É importante ressaltar, entretanto, que o seu trabalho vai se enriquecer muito se você conhecer o material com que está trabalhando. Os melhores resultados serão extraídos destas ferramentas digitais justamente por quem conhece o material real, físico.

Existem muitos programas de pintura digital. O mais conhecido é o Corel Painter® mas a minha coluna aqui no portal da Webdesign sempre mostrará soluções gratuitas. Destas, a que mais gosto é o Artweaver, um programa gratuito de pintura alemão. Existem vários outros também muito bons, como o ArtRage e até mesmo o Gimp que, apesar de ser mais de edição do que de pintura, também se presta a esta atividade. O ArtRage é muito similar ao Artweaver e do Gimp tratarei em futuros artigos.

O Artweaver também possui algumas ferramentas básicas de edição mas o seu foco principal é, sem dúvida alguma, a pintura digital. Ele fornece algumas funções básicas de manipulação de camadas (layers) similares a concorrentes comerciais, tais como: efeitos de camadas como drop shadow, transparência e todas as formas de sobreposição normalmente oferecidas (normal, darken, multiply, lighten, screen, difference, exclusion, color burn, linear burn, color dodge, hard light, soft light, color, hue, saturation, luminosity e average). O Artweaver tem também histórico, ajustes como o prático auto levels e toda uma variedade de funções básicas que você espera de um software minimamente eficaz. Não irei aqui listar todas mas é importante você saber que a maioria das funções mais comuns está presente.

Assim como muitas outras soluções gratuitas, o Artweaver também tem problemas com CMYK. E, ao contrário do Gimp, ainda não existe sequer um plugin para melhorar isso. A partir da versão 0.5.7, incluíram a paleta CMYK no seletor de cores mas não tenho certeza se podemos considerar isto um sinal de que irão implementar suporte a CMYK. Da parte de arquivos ele é bem versátil e não apenas abre .psd como também salva para este – e vários outros – formatos, inclusive pdf.

Aproveitando que este artigo é para a Webdesign online, vou fazer uso de vídeo, algo impossível na revista impressa. É importante ressaltar que o vídeo se propõe a ser uma demonstração do programa e não de arte, técnica ou estética. Então, veja o programa em ação:

Deixei o melhor para o final. Sabe aquela sua coleção de brushes fantásticas que você levou anos selecionando? O Artweaver importa .abr.

importando brushes importando brushes importando brushes importando brushes importando brushes importando brushes importando brushes

E então, o que você está esperando? Download e mãos ao tablet!

 

 

VIGNA-MARÚ, Carolina. Pintura digital com artweaver. Revista Wide Online, 15 set. 2010.

Scribus: diagramando em software livre

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O Scribus é um programa opensource de diagramação. Existem muitos tutoriais em inglês disponíveis online, inclusive em vídeo.

Como esta é uma revista voltada para a web, vou considerar a meta de produção como e-books e afins e não vou me preocupar aqui com questões como resolução mínima de impressão ou geração de marcas de registro, por exemplo. Se esta for uma questão importante para você, no site de documentação do Scribus você encontrará bons pontos de partida. Recomendo também a leitura do livro O Design do Livro, de Richard Hendel.

Antes de entrar na parte prática do programa é importante pensarmos em alguns conceitos que talvez não sejam uma preocupação para quem é muito “webcentrado”.

Diferentemente de sites, publicações em pdf e afins pressupõem uma certa linearidade. Ou seja, não usamos extensivamente hipertexto e lógicas similares. Toda a diagramação é pensada como um plano fechado, não-fluido ou muito menos elástico. Além disso, o conteúdo também é pensado de forma a não utilizar referências externas, como um link para uma definição na wikipedia, por exemplo. A publicação neste formato precisa ter uma certa unidade e independência, mesmo se parte de uma série ou se é um periódico. Pegue a Revista Webdesign como exemplo: cada edição tem uma identidade comum a todas e, ao mesmo tempo, encerra os assuntos ali propostos com artigos completos e que se sustentam sozinhos.

Podemos usar esta mesma lógica, da publicação linear, em outras aplicações. Não é incomum, por exemplo, que um artista queira sua obra dividida em anos ou em fases. Podemos criar um pdf para cada segmento ou seção e colocá-lo de forma a fazer sentido no todo, com ou sem textos explicativos. Ou, ainda, é possível que um cliente seu queira uma área de downloads de documentos que necessitam ser impressos em uma formatação específica (como atas, pareceres jurídicos, etc). Ou seja, nem só de CSS vive o homem.

O Scribus é um programa bastante complexo. Existem inúmeros bons tutoriais e uma vasta documentação a seu respeito na web e portanto o propósito deste artigo é apenas de apresentá-lo como uma solução possível de diagramação.

Começando do início, como manda os bons costumes, abrimos um novo documento.

Scribus: diagramando em software livre

A caixa de diálogo exibe algumas opções interessantes, como a possibilidade de dobras duplas ou triplas e a mudança da unidade de medida para cada documento.

Scribus: diagramando em software livre

Na hora da criação, pedi um Automatic Text Frame, então é só colar o texto a ser diagramado.

Scribus: diagramando em software livre

Uma das principais características do Scribus é que ele trata cada elemento individualmente, inclusive com a possibilidade de mudarmos o nome para uma identificação mais rápida. No caso de uma publicação maior, será muito mais fácil de identificar “Tabacaria” do que “Text1”, por exemplo.

Scribus: diagramando em software livre

Se você precisar criar novas caixas de texto, a passagem automática de uma para outra pode ser ligada/desligada no Link Text Frames.

Scribus: diagramando em software livre

Todos os ajustes de texto são encontrados na caixa de diálogo Text, os de imagem na caixa Image e assim por diante.

Scribus: diagramando em software livre Scribus: diagramando em software livre Scribus: diagramando em software livre

Assim como os melhores programas de Desktop Publishing, o Scribus também tem estilos de parágrafo. Clique em new para criar os seus estilos. Depois, para aplicá-lo é só selecionar o texto e clicar em “style” na caixa de texto.

Scribus: diagramando em software livre Scribus: diagramando em software livre

Se quiser quebrar uma página antes do automático, é só arrastar a linha final para a quebra ou então inserir um frame break na posição certa.

Scribus: diagramando em software livre

Inserimos então um Image Frame e, com 2 cliques em cima dele, importamos uma imagem. Neste caso, estou usando uma fotografia da tabacaria Seattle Rainier Cigar Co, de 1900, encontrada no endereço http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Seattle_Rainier_Cigar_Co_-_1900.jpg

Scribus: diagramando em software livre

As imagens podem ser tratadas de várias maneiras. Uma das mais comuns é com o texto contornando os limites da imagem. Para isso, basta clicar em Shape e em Text Flows Around Frame.

Scribus: diagramando em software livre

Outra coisa importante de mostrar é que o Scribus trabalha com layers e podemos, por exemplo, inserir a imagem por baixo do texto.

Scribus: diagramando em software livre Scribus: diagramando em software livre Scribus: diagramando em software livre Scribus: diagramando em software livre

Em Document Setup, em sections, você pode manipular e adicionar seções do seu documento e, depois pode gerar um índice automático em Page of Contents. Funciona mais ou menos como o book do InDesign. É nesta caixa de diálogo também que você encontrará a exportação para PDF.

Scribus: diagramando em software livre

Inserir número de páginas também é bem similar ao programa da Adobe. Basta inseri-lo como um caracter especial dentro de um frame de texto.

Acredito que com estes poucos dados já seja possível fazer algo com o Scribus. Assim como qualquer software open source, este também muda um pouco a lógica das coisas para quem está acostumado a similares comerciais. É necessário um período de adaptação mas acredito que a maioria das necessidades de diagramação sejam supridas por ele. Pode ser uma boa solução gratuita para você ou para a sua empresa, inclusive para impressos.

 

Scribus: diagramando em software livre. Revista Wide online, 27 ago. 2010.

Indo além do banco de imagens

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Muitas vezes o designer precisa criar uma ilustração, um ícone ou algum outro tipo de comunicação gráfica. A questão é que nem todo designer é ilustrador e freqüentemente recorrem a stock images. Stock (de estoque mesmo) são imagens genéricas. Antigamente as chamávamos de imagens de arquivo. A idéia é pagar pelo direito de reprodução ou licenciamento daquela imagem mas não por sua exclusividade. Os preços costumam ser baixos mas por outro lado são imagens que encontramos em qualquer lugar, sem nenhuma personalização.

Uma saída é recorrer aos bancos de imagem gratuitos ou licenças Creative Commons, mas o problema do “lugar comum” é ainda mais evidente.

Talvez uma boa dica para este problema seja usar como ponto de partida uma imagem gratuita, como as encontradas na Wikicommons, e transformá-la em uma ilustração criativa.

Neste post vamos fazer um passo a passo de um exemplo deste processo, usando apenas ferramentas gratuitas.

Passo 1: escolher uma boa imagem.

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cat_walking_DSC08739.jpg

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cat_walking_DSC08739.jpg

A imagem precisa ser expressiva e o mais limpa possível, com pouco fundo e com um bom tamanho, para facilitar a vetorização. Certifique-se que a licença da imagem permite o uso derivado, ou seja, que você transforme a imagem original em outra. A oferta é grande e respeitar o trabalho dos outros significa ter o seu respeitado também.

Site: Wikicommons – http://commons.wikimedia.org/

Passo 2: vetorizar

autotrace

Site: autotrace http://www.roitsystems.com/cgi-bin/autotrace/tracer.pl

Passo 3: editar

inkscape01

Começamos abrindo o arquivo .svg gerado pelo trace no Inkscape.

 

inkscape02

Dependendo do fundo escolhido, é necessário limpar a imagem.

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Limpeza da imagem (close).

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Unindo alguns objetos para facilitar a sua manipulação.

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Operação booleana: achei que os olhos ficariam bons se vazados no objeto maior.

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Novamente operação de união, mas desta vez para transformar o gato em uma grande massa preta.

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A ferramenta “simplify” do Inkscape é talvez uma das melhores que possui. Com apenas um clique a figura suaviza e diminui consideravelmente informações desnecessárias.

inkscape08

Com a ferramenta de edição de nós, terminamos pequenos ajustes nos pontos e curvas da figura.

inkscape09

A figura agora está pronta, em um objeto vetorial, que você pode manipular facilmente e colocar em qualquer tamanho sem perda de qualidade.

inkscape10

Adicionar texto pode produzir um impacto interessante.

 

Agora é a hora de ser criativo. É sempre uma boa primeiro observar se o seu layout precisa de algum tamanho específico. Começar o trabalho de edição já na proporção necessária adianta muito tempo e poupa dor de cabeça depois.

Programa: Inkscape – http://www.inkscape.org/

Lembre-se sempre de dar crédito da imagem original. O bom do Inkscape é que ele já exporta a png com fundo transparente.

gato

ilustração baseada em fotografia de Mai-Linh Doan

O crédito não diminui em nada o seu trabalho, muito pelo contrário: mostra a todos que você é profissional, criativo e ético.

Viu como é simples gerar imagens personalizadas, que garantam um diferencial para você ou seu cliente? Então, o que está esperando? Não esqueça de colocar um link para o trabalho criado aqui nos comentários!

 

 

 

w_cartaleitorEsse artigo recebeu uma simpática carta do leitor na edição seguinte.