Ronaldo Grossman – Soneto Nulo

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Ronaldo Grossman expõe “Soneto Nulo”, na Anita Schwartz Galeria, depois de 12 anos em Lisboa. São enormes painéis formados por pequenos trapézios pintados em preto e branco.

O nosso olho tem doutorado em perspectiva, algo extremamente útil na interpretação de profundidade e outras informações tridimensionais mas que também pode gerar um erro de interpretação – a ilusão -, justamente por ser exatamente isso: uma interpretação.

O artista brinca com a sensação de profundidade e ritmo, levando Hajime Ouchi para passear em Copacabana. O interessante é que como Grossman é artista plástico e não matemático, a rigidez se atenua na simples existência do objeto, da madeira/tela pintada, da tinta, da inserção do erro dentro da rigidez da construção matemática.

Em um dos painéis, ele altera a frequência espacial (unidirecional) para alcançar o ritmo e o volume que sempre falta à matemática. E consegue.

Existe uma diferença muito grande entre a mágica de enganar nossos olhos e a apresentação deste engano na forma física e concreta de uma parede de galeria. Grossman certamente inclui o espaço entorno no seu trabalho, o que é sempre muito bom.
Anita Schwartz Galeria: Av. das Américas, 7777 / térreo – lojas 133/134, Barra da Tijuca/RJ.

Acessível quem?

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Artigo inicialmente escrito como linha geral para palestra que dei na UNIP (SP) em 06/10/03 durante a ECO, revisado com atualizações mínimas em 9 de julho de 2006 para ser publicado na nova versão deste site, o vignamaru.com.br

Por que CSS, tableless e traquitanas similares?

3,45 milhões de conexões de banda larga no Brasil. (IDC, jan/06) 627 milhões de pessoas (10% da população mundial) já compraram pela web. (ACNielsen, nov/05) 19 horas por dia é a média brasileira de navegação residencial. (Ibope//NetRatings, mai/06) 19,9 milhões moram em residências com pelo menos um computador com acesso à web. (Ibope//NetRatings, dez/05) 12,2 milhões de pessoas utilizam a internet em casa no Brasil (Ibope//NetRatings, dez/05) 4,7 milhões de brasileiros já fizeram pelo menos uma compra pela internet (e-bit – fev/06) 72,9% dos usuários do Orkut são brasileiros (Orkut – jan/06) 17,2 milhões de brasileiros navegam diariamente (Ibope//NetRatings – nov/05) 6,5 bilhões de pessoas acessam a internet em todo o mundo (Internet World Stats – dez/05)

Hoje temos mais de 20 milhões de internautas brasileiros. Aproximadamente 1/6 destas pessoas possuem acesso à banda larga. Nem todos possuem o mesmo conhecimento das ferramentas disponíveis no mercado. Nem todos falam inglês. Nem todos possuem a mesma compreensão de símbolos e signos. Nem todos usam os programas da Microsoft®. Nem todos possuem placas de vídeo potentes. Nem todos estão com tempo. Todos precisam ter acesso à informação.

Ah, o seu público é “AAA” e tem banda larga e então você acha que não precisa criar um design voltado para acessibilidade? Certo… O seu público é o primeiro a querer usar internet em um palm ou no celular. E o seu visitante, rico ou pobre, vai querer ter acesso à informação no seu site com a mesma facilidade em um 286, em um G5 ou em um celular. Não importa para quem você julga que o seu site se destina. O que importa é que esta pessoa consiga te achar. E, para isto, os mecanismos de busca precisam te encontrar. O seu site pode ser encontrado e lido com facilidade usando tabelas, imagens, animações e até mesmo Flash. Para isso, basta se preocupar com SEO (Search Engine Optimization) e colocar uma informação textual no seu site. Esta informação textual pode perfeitamente coexistir com qualquer outro tipo de informação que você queira. A maneira mais fácil de fazer isso é usar XHTML mas existem muitas outras. A tendência é que isso fique cada vez mais fácil de fazer. O que muda é a forma de pensar a web. A questão da acessibilidade é muito mais filosófica do que técnica. Com meia dúzia de sites de referência ou uns poucos bons livros (recomendo especialmente o do Eric Meyer) você domina a parte técnica. Você precisa querer desenvolver sites de fácil acesso e indexação. Um erro comum é achar que hotsites (sites de duração limitada, normalmente feitos para uma determinada promoção) seguem uma ideologia à parte quando, justamente ao contrário, são estes sites que mais precisam de uma indexação rápida e fácil. O visitante normalmente não decora o endereço do seu site em pouco tempo e a grande maioria utiliza mecanismos de busca para encontrá-lo. Não se iluda, não ache que porque você gastou pequenas fortunas com outdoors e anúncios na tv o seu inesquecível endereço vai ficar na cabeça do seu público até chegar em frente a um computador. A necessidade e/ou o desejo do seu visitante, por outro lado, andam com ele desde o seu lindo outdoor até o micro da casa dele. Vamos supor, por exemplo, que eu resolva fazer um hotsite para anunciar que a minha pasta de dente para gatos agora tem dois novos sabores: fígado e salmão. O meu cliente não vai lembrar o endereço do site imediatamente. Ele vai primeiro procurar por “pasta dente gato”. Seria bom que logo na primeira página do mecanismo de busca ele já encontrasse o que procura. Para que isso aconteça, o meu site precisa ser fácil de ser lido pelos searchbots. Tudo na internet funciona sob o mesmo protocolo e vai ser visto da mesma forma: com um browser. Este browser pode ser uma infinidade de programas e pode até mesmo ser invisível para o usuário, mas terá, necessariamente, alguém mostrando para o seu visitante o que está em outro lugar, ou seja, o que está no seu site. O seu visitante não tem o menor interesse em saber se o site que ele está vendo foi feito em tableless, com css, se está cheio de nested tables, se foi feito no programa x ou à unha. O que ele quer é achar o que ele procura. E o que ele procura é totalmente irrelevante para o processo de acesso à informação. Tornar o seu site acessível não tem relação com a informação visual dele. Você pode perfeitamente ter um site com look’n’feel (jargão para “gostosinho” no meio publicitário) e ainda assim ser fácil de achar, de ler, de entender, em qualquer plataforma. Quanto mais fácil de achar for o seu site, mais popular ele vai ser. E quanto mais popular ele for, mais acessos ele vai ter. Existem, então, várias formas de otimizar este acesso à informação. A primeira delas é o que chamamos de “código semântico”. Este é um nome legal para dizer que é um código fácil de ler. Se você, humano normal, consegue ler o código, com certeza todo mundo vai conseguir ler (e por todo mundo eu quero dizer todas as máquinas). A maneira mais fácil de tornar o seu código simples de ler é tirar dele todas aquelas tags de fonte, de alinhamento, etc. Você deve estar se perguntando como vai conseguir fazer com que o seu texto apareça como você quer. Ora, muito fácil: separe a informação da formatação com css. Usar uma folha de estilo (css) tem, sob o meu ponto de vista, duas vantagens básicas: 1 – o seu código fica pronto pra viagem e; 2 – é mais fácil e rápido de atualizar depois. Você pode usar css e ainda usar tabelas como elemento de diagramação. Só acho uma grande besteira. Talvez a melhor coisa do css é que você pode alterar um site inteiro atualizando um único arquivo texto. E esta alteração pode ser também de posição e (in)visibilidade dos elementos se estes estiverem fora de uma tabela, em uma div. A div é colocada na página com coordenadas, tanto do topo, tanto da esquerda. E estas coordenadas podem ser definidas dentro do seu css. Desta forma, você passa a ter controle total (e muito rápido) sobre todos os elementos de diagramação/formatação do seu site com um único arquivo texto simples que pode ser lido e alterado em qualquer lugar com qualquer programa. Isto se traduz em simplicidade, em rapidez, em dinamismo, em liberdade e, consequentemente, em dinheiro. Você pode, ainda, se dar ao luxo de fazer vários lay-outs diferentes e permitir que o seu visitante escolha qual gosta mais, com um simples style-switcher você consegue que o seu site tenha aparências completamente diferentes, funcionando como skins. É simples: quanto menos tempo você gastar para atualizar o seu site, menos dinheiro ele custará para você. Quanto mais visibilidade ele tiver, mais retorno você vai ter. Com tudo isso, era meio que esperado que surgisse alguém decidido a regulamentar e documentar esta abordagem. Já existe, é o W3C – World Wide Web Consortium – que documenta, regula, valida e escreve os css. Por escreve os css eu quero dizer exatamente isso, são eles que criam a linguagem do css, são eles que vão lá e escrevem e criam as coisas que o css faz. Como eu gosto sempre de beber na fonte, assino a lista dos desenvolvedores deles para acompanhar de perto o que está vindo por aí. O site deles é a referência mais importante para quem está querendo aprender. Desenvolvam sites semânticos e economizem o seu tempo (sem retrabalho e com atualização rápida) e o tempo do seu visitante (sites com esta abordagem ficam entre 25 e 50% menores). Desenvolvam sites semânticos e falem para usuários de qualquer sistema operacional, em qualquer plataforma, em qualquer mídia. Desenvolvam sites semânticos e se tornem democráticos e disponíveis. Desenvolvam sites semânticos e parem de perder dinheiro. Sites também têm ergonomia. Vocês precisam adaptar os sites ao usuário e nunca o usuário ao site. O conteúdo é o mais importante. A web é a democratização da informação. Não é a democratização do flashzinho-bonitinho-que-pisca. Um site, assim como qualquer mídia, não sobrevive sem conteúdo. A internet é causa e consequência da libertação da informação. Certifique-se de que o seu usuário tem acesso a ela.

Deu Piazzolla na prancheta

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¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón.

Em homenagem ao último template para Mambo que fiz, decidi falar um pouco de ritmo. Não, eu não estou mudando de profissão. É muito comum uma arte usar termos de outra emprestado. Existe tonalidade em música, movimento na estética e ritmo em design.

Em música, ritmo é um padrão de notas. A repetição deste padrão cria uma espécie de fio condutor da música. Em design não é muito diferente.

ênfase

ênfase

movimento

movimento

ritmo

ritmo

A criação de uma linha, um conjunto cromático, uma sequência de objetos ou mesmo apenas uma simples repetição podem gerar ritmo e movimento em design. O movimento é quando uma composição guia os olhos do espectador em uma determinada direção ou através de uma lógica específica. O ritmo é quando há uma repetição intencional.

O ritmo não precisa necessariamente usar uma forma ou objeto, pode ser também uma cor ou um tom.

Ritmo cria a sensação e a compreensão de organização e unidade, mesmo que os elementos variem em forma, em posição e/ou em cor. O ser humano normalmente entende os objetos como pulsação e os intervalos como pausas. Os intervalos podem ser espaços entre objetos ou mesmo quebras de página de um livro.

Talvez a noção mais importante sobre ritmo é a de que se trata de algo organizado. O ritmo só existe dentro de uma determinada métrica e respira repetição. Sem o método, sem a lógica, sem a matemática, sem organização, o ritmo não pode ser executado.

Hoje em dia está muito na moda os florais. Entendemos que os padrões florais, por serem muito orgânicos e próximos à natureza são relaxantes e tranquilizantes justamente por esta sensação do conhecido. A moda das flores há de passar mas esta regrinha de que o conhecido é relaxante vai ser válida sempre. A curva é conhecida e a reta é inventada. Lembre-se disso sempre: na dúvida, use um arco.

“A menor distância entre dois pontos é a reta mas a mais saborosa é a curva.”
Mario Quintana

Grátis – código aberto, freeware

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Às vezes acho que Linux pode, de fato, assustar um pouco. Então tá, vamos falar primeiro de opensource/freeware para a plataforma comercial. Parece-me um pouco non-sense mas quem sou eu para criticar? Existem muitos softwares bons, fáceis de instalar e de entender, simples de usar e muitas vezes melhor desenvolvidos e com menos bugs do que os seus pares comerciais.

Artes gráficas e multimídia:

Web:

Processamento de texto, planilha, etc:

Comunicação pessoal:

Ícones:

E todos estes, com instaladores (sem essa de ficar compilando software), manual e fóruns de discussão para te ajudar. Existem muitas, muitas outras opções. Recomendei nessa listinha aqui de cima apenas aqueles que eu já testei e gostei. Você já tem preocupações demais para ficar gastando tempo e dinheiro em atualizações caras de softwares caros só por causa da preguiça de alguns em aprender algo novo. Mude você também. De graça, sem dificuldade, sem stress, sem se preocupar com nada. E, se você estiver pronto para realmente fazer uma mudança de filosofia empresarial, mantendo a sua empresa 100% legalizada e ao mesmo tempo com softwares ponta-de-linha, mude para Linux. Sem medo, ou, como diz o meu colega designer Bruno Gaspar, “mamãe, mamãe, tem um pinguim no meu armário”!

Perceber

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Perceber é assimilar o que chega a nós através de nossos sentidos. Aqui só vou tratar dos estímulos visuais.

Correndo o risco de ser óbvia, para se ver algo é necessário luz. O olho humano interpreta a luz refletida dos objetos para enviar as informações de distância, cor, volume, etc, ao cérebro. Então, não seria leviano da minha parte afirmar que em termos físicos nós funcionamos como máquinas fotográficas. O que nos diferencia dos aparelhos é, justamente, a interpretação destas informações e a emoção gerada a partir dela.

A percepção visual é dependente e ao mesmo tempo influencia o meio e a cultura onde o indivíduo está inserido. Por exemplo, a cor branca tão freqüentemente associada à pureza e leveza no ocidente é tristíssima e negativa no Japão, onde é a cor oficial de luto. Meu filho me explica que o Power Ranger® branco (personagem japonês) é “mau”. Muito se aprende com as crianças.

Portanto, é impossível a criação de um símbolo que não esteja inserido na cultura onde existirá.

Com tudo isso, não é de se estranhar que psicólogos tentem estudar e consequentemente explicar a percepção (não apenas a visual). Para os designers a teoria mais importante é a Gestalt.

Até agora só falei de percepção. Para o designer, a percepção é fundamental para que a comunicação visual exista mas não é, entretanto, a meta final do projeto. É importante pensar na reação do indivíduo àquela percepção. E, especialmente, como classifica, sente e memoriza esta informação. Disso trata a semiótica.

A semiótica é uma técnica de pesquisa que consegue dizer, de um modo bastante exato, como funcionam a comunicação e a significação. A semiologia é parte da lingüística. Não é preciso ser especialista em etimologia para deduzir que semiologia e semiótica estão intimamente ligadas.

Uma mensagem, uma estrutura de signos, não apenas comunica mas também significa algo, representando algo para o indivíduo que conhece aquela estrutura de signos. Por exemplo, apesar de achar belíssimo, o alfabeto árabe nada significa para mim.

Para Charles S. Pierce, a relação de significação envolve três sujeitos: um signo, o seu objeto e o seu interpretante; jamais uma ação entre duplas. Essas três entidades formam a relação triádica de signo que pode ser representada graficamente com base no que conhecemos por “triângulo semiótico de Ogden e Richards”.

Os signos, por sua vez, podem ser analisados sob três aspectos (conhecidos como tricotomias): em relação a si mesmos, em relação ao objeto e em relação ao indivíduo que o percebe.

A área da comunicação por mensagens visuais define o universo do design gráfico. Os elementos visuais constituem a substância básica do que vemos. São a matéria-prima de toda informação visual. A professora Donis A. Dondis é, na minha opinião, a mais clara referência sobre os elementos visuais (ponto, linha, estrutura, volume, superfície, textura, luz e cor) e suas composições. Como são noções que pertencem ao nosso ideário coletivo, não vou perder tempo com elas agora.

O que torna a comunicação visual diferente das demais é que conteúdo e forma não podem ser separados. A composição destes elementos, é então a combinação ordenada dos elementos da comunicação visual (ponto, linha, cor, etc).

Então, bravo leitor, para ser capaz de analisar o trabalho de um designer, você não precisa estudar Gestalt ou semiótica. Basta prestar atenção em unidade, harmonia, simplicidade, proporção, equilíbrio, movimento, destaque, contraste, legibilidade e acessibilidade (não apenas em web, uma logomarca precisa ser compreendida por um daltônico, por exemplo).

Mais especificamente, quando for analisar uma marca, preste atenção – além do que citei acima – em:

– originalidade temática, diferenciação.

– valor simbólico, emocional.

– impregnação formal, recordação.

– qualidade estética

– durabilidade

– expansibilidade (pode ser usada em todas as mídias, por exemplo)

– redutibilidade (se é legível em preto e branco, etc)

– escalonabilidade (diferentes tamanhos e formatos)

– globalização – uma marca hoje não pode mais ser pensada apenas para um país, para uma cultura.

Como você pode ver por este superficial e rápido artigo, um bom design é algo complexo, rico e que depende de um bom profissional. Não ache que o instrumento (um bom computador, por exemplo) é suficiente para produzir algo que preste. Não é o martelo que faz o marceneiro. Todo designer é um artista de circo, fazendo algo muito complexo parecer simples e fácil.

“Um ser humano deveria ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, fatiar um porco, construir um barco, projetar um prédio, escrever um soneto, gerenciar contas, levantar um muro, consertar um osso, confortar os moribundos, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, preparar adubo, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer com estilo. Especialização é para insetos.” – Robert A. Heinlein

Papel

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O papel que você escolher para a sua publicação deve reunir uma série de características que garantam a relação custo/qualidade desejada. É importantíssimo lembrar que o processo de impressão é tão fundamental quanto o suporte. Chamamos de suporte tudo aquilo que recebe a impressão (poderia ser também plástico, tecido, metal, etc). Papéis brancos diferentes têm “brancuras” distintas. Branco quente é aquele que reflete um leve tom amarelado e branco frio o tom azulado. Naturalmente, o quente vai favorecer as cores quentes e assim por diante. A impressão final depende tanto das propriedades da tinta como as do papel. Por isso é que o produtor gráfico sempre pede a prova de impressão no mesmo papel que será usado no produto final. Papel é o tipo de coisa que você pode perguntar pra gráfica. Eles terão prazer em lhe explicar (talvez até mais do que você precise saber). O fabricante do papel, claro, vai dizer que o papel dele lava mais branco.

Alguns conceitos básicos

Você certamente já ouviu falar em gramatura. Gramatura é a medida da massa por unidade de área do papel. Usamos gramas por metro quadrado. O papel da sua impressora doméstica é de 75 ou 90 g/m². Quanto maior a gramatura mais “grossinho” o papel é. A gramatura é importante não apenas pelo lado físico do papel mas também pelo comercial: vende-se papel por peso e impressão por área.

O brilho é o que torna o papel reluzente ou lustroso. Quanto maior o brilho do papel, mais efeito de espelho ele vai ter. Opacidade é o quanto o papel bloqueia a luz. Quanto menor a opacidade, pior o contraste da impressão. Em áreas com grandes quantidades de tinta (os famosos “chapados”) a opacidade do papel tem uma grande influência na qualidade do produto final.

A direção das fibras determina como o papel irá se comportar depois de encadernado. O papel pode ser encadernado com as fibras paralelas à lombada para prevenir capas abertas, “beiços” e outras curvaturas indesejáveis.

A absorção do papel (a velocidade com que a tinta penetra no papel) é o que diz como o papel vai “chupar” a tinta. Esta característica é uma das determinantes do rendimento da tinta e do tempo de assentamento e secagem do papel. Quando falamos de livros, surge a preocupação de como o papel vai aguentar todo o processo posterior à impressão. Depois de colado e/ou costurado, o livro é refilado (apara de rebarbas), embalado e encaixotado.

Embalagens, por sua vez, precisam ser flexíveis e ao mesmo tempo resistentes e aguentar empilhamento. Por conta do barateamento dos processos de impressão em outros suportes, usa-se cada vez mais materiais plásticos para embalagens.

Enfim, o papel precisa ser escolhido caso a caso. Não adianta você decidir que ama o Chamois® e ponto final. Analise um produto de cada vez e pergunte por aí, na maior cara de pau.

Na hora de conversar sobre cor, o seu maior aliado é o produtor gráfico.

Para falar de papel o produtor é um bom intérprete mas a opinião da gráfica deve ser ouvida. Até porque as gráficas não vendem papel – elas encomendam o que você escolher – não havendo, portanto, conflito de interesses.

user centered

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Eu sei que me repito às vezes. Voltarei outras vezes ainda ao mesmo assunto. É assim quando a gente acredita de verdade em algo.

Eu sigo a linha do user centered design. Visto a camisa da campanha do Mozilla, “take back the web” e concordo que o controle do seu navegador é seu e não do designer.

Acredito que os sites precisam ser lidos por qualquer um em qualquer lugar. Gasto um tempão testando uma ilustração para me certificar que daltônicos consigam ver o que desenhei.

Acredito que separar a informação da formatação (css) é bom não apenas por questões econômicas mas também para facilitar a vida de simuladores de voz para cegos. Tenho essas preocupações. E, ao mesmo tempo, a estética é importante, a leveza e a sutileza fazem bem e a mensagem precisa ser transmitida com clareza e eficiência.

Não acho que desenvolver sites para aqueles felizardos com banda larga e que não ousam entrar no seu site com um palmtop ou um celular seja a melhor coisa pra a sua empresa. Pelo contrário, acho que a melhor coisa para a sua empresa é que ela seja encontrada e visitada por todos, mesmo que não seja o seu público-alvo. Outro dia indiquei para um amigo o site de um revendedor de motor de lancha, necessidade que eu jamais tive, não sou público de motor de nenhum tipo.

Assim é a internet.

É o mundo de pontas.

Mundo de Pontas (“World of Ends”)
O Que É A Internet E Como Não Confundí-la Com Outra Coisa
Por Doc Searls e David WeinbergerHá erros e há erros.

Aprendemos com alguns erros. Por exemplo: pensar que vender brinquedos para animais de estimação pela Web é um grande jeito de ficar rico. Não vamos repetir este.

Outros erros repetimos muitas vez. Por exemplo, pensar que:

– …a Web, como é a TV, é um jeito de manter os olhos parados para anunciantes desfilarem comerciais;

– … a Internet é algo que as telecoms e as empresas de mídia deveriam filtrar, controlar e de algum modo, “melhorar”.

– … não é bom que usuários de diferentes sistemas de mensagens instantâneas se comuniquem pela Internet.

– … a Internet sofre de uma falta de regulamentações que protejam indústrias que se sentem ameaçadas por ela.

Quando se trata da Internet, muitos de nós sofrem da Síndrome do Erro Repetitivo. Isso vale especialmente para editoras de revistas e jornais, rádio e TV, TV a cabo, a indústria de discos, a indústria de cinema, e a indústria telefônica, para mencionar apenas seis.

Graças à enorme influência dessas indústrias em Washington, a Síndrome de Erros Repetitivos também afeta legisladores, reguladores e mesmo os tribunais. No ano passado a transmissão radiofônica pela Internet, uma indústria nova e promissora que ameaçava oferecer aos ouvintes escolhas muito superiores às oferecidas pelas cada vez mais uniformizadas (e paleolíticas) emissoras AM e FM, foi assassinada no berço. Armas, munições e ocasionais gritos de encorajamento foram supridos pelas gravadoras e pelo DMCA (Digital Millenium Copyright Act), que incorpora todos os receios dos dinossauros-alfa de Hollywood quando fizeram lobby para a sua aprovação pelo congresso americano em 1998.

“A Internet interpreta a censura como um defeito e roteia para contorná-la”, foi uma frase famosa de John Gilmore. E é verdade. A longo prazo, rádio via Internet vai fazer sucesso. Sistemas de mensagens instantâneas irão se intercomunicar. Empresas estúpidas vão ficar espertas ou morrer. Leis estúpidas vão ser revogadas ou substituídas. Mas por outro lado, outra frase famosa, esta de John Maynard Keynes, diz “a longo prazo, vamos estar todos mortos”.

Queremos evitar essa espera.

Basta prestar atenção para o que a Internet realmente é. Não é difícil. A Internet não é mecânica quântica. Olhando de perto, nem é ciéncia de 6a. série. Podemos acabar com a tragédia da Síndrome do Erro Repetitivo nos nossos tempos – e economizar alguns trilhões de dólares em decisões imbecis – se lembrarmos de um simples fato: a Internet é um mundo de pontas. Você está numa ponta, e todos os outros, e todo o resto, estão nas outras pontas.

Claro, isso é uma declaração simplista sobre todo mundo possuir valor na Internet, etc. Mas também é o fato básico e palpável decorrente da arquitetura técnica da Internet. E o valor da Internet se baseia na sua arquitetura técnica.

Felizmente, a verdadeira natureza da Internet não é difícil de entender. Na verdade, apenas uma dezena de afirmativas fazem a diferença entre a Síndrome do Erro Repetitivo e a Iluminação:

– A Internet não é complicada.

– A Internet não é uma coisa, é um acordo.

– A Internet é burra.

– Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.

– Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.

– O dinheiro se muda para os subúrbios.

– Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas.

– As três virtudes da Internet:

– Ninguém é dono.

– Todos podem usá-la.

– Qualquer um pode melhorá-la.

– Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?

– Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.

1. A Internet não é complicada.

A idéia por trás da Internet, desde o início, foi aproveitar a força espantosa da simplicidade – tão simples quanto a gravidade no mundo real. Mas em vez de ajuntar pedrinhas pequenas em volta de uma pedra enorme, a Internet foi projetada para ajuntar redes pequenas, convertendo-as numa rede única enorme.

O jeito de fazer isso é facilitar ao máximo o envio e recepção de dados de uma rede para outra. Assim, a Internet foi projetada para ser o modo mais simples concebível para mover bits de qualquer A para qualquer B.

2. A Internet não é uma coisa, é um acordo.

Quando olhamos para um poste, vemos redes como fios. E vemos estes fios como parte de sistemas: o sistema telefônico, o sistema de energia elétrica, o sistema de TV a cabo.

Mas a Internet é diferente. Não é fiação. Não é um sistema. E não é uma fonte de programação.

A Internet é um modo que permite a todas coisas que se chamam redes coexistir e trabalhar em conjunto. É uma Inter-net (inter-rede), literalmente.

O que faz a “Net” ser “Inter” é o fato que ela é apenas um protocolo – o protocolo Internet (IP – “Internet Protocol”), para ser mais preciso. Um protocolo é um acordo sobre como fazer coisas funcionarem em conjunto.

Este protocolo não especifica o que as pessoas podem fazer com a rede, o que podem construir na sua periferia, o que podem dizer, ou quem pode dizer. O protocolo simplesmente diz: se você quer trocar bits com outros, é assim que se faz. Se você quer conectar um computador – ou um celular ou uma geladeira – à internet, você tem que aceitar o acordo que é a Internet.

3. A Internet é burra.

O sistema telefônico, que não é a Internet (pelo menos por enquanto) é muito esperto. Ele sabe quem está chamando quem, onde eles estão, se é chamada de voz ou de dados, a distância coberta pela chamada, quanto a chamada vai custar, etc. E fornece serviços que interessam apenas à rede telefônica: chamada em espera, BINA, 0800 e muitas outras coisas que companhias telefônicas gostam de vender.

A Internet, por outro lado, é burra. De propósito. Seus projetistas quiseram que a maior e mais genérica rede de todas fosse estúpida como uma caixa cheia de pedras.

A Internet não sabe muitas coisas que uma rede esperta como a rede telefônica sabe: identidades, permissões, prioridades, etc. A Internet sabe apenas uma coisa: esse pacote de bits tem que ser transportado de uma ponta da rede para outra.

Há motivos técnicos para a burrice ser considerada um bom projeto. A burrice é robusta. Se um roteador quebra, pacotes são conduzidos por outras rotas, o que quer dizer que a rede fica de pé. Graças à sua burrice, a Internet aceita dispositivos novos e gente nova, e por isso cresce rapidamente e em todas as direções. Também é fácil aos projetistas inserirem acesso à Internet em aparelhos novos – filmadoras, telefones, irrigadores de jardim – que vivem na periferia da Internet.

Isso porque o motivo mais importante da burrice ser uma coisa boa se relaciona menos com tecnologia e muito com valor…

4. Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.

Parece estranho, mas é verdade. Se você otimiza uma rede para um tipo de aplicação, você está desotimizando-a para outras. Por exemplo, se você deixa a rede dar prioridade a dados de voz ou vídeo porque precisam chegar mais rapidamente, você está dizendo a outras aplicações que elas terão que esperar. E logo que você fizer isso, você terá mudado a Internet de uma coisa simples para todos para uma coisa complicada para apenas uma certa coisa. E aí não será mais a Internet.

5. Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.

Se a Internet fosse uma rede esperta, seus projetistas teriam antecipado a necessidade de um bom mecanismo de busca e teriam integrado isso na própria rede. Mas como os projetistas eram inteligentes fizeram a Internet burra demais para isso. Assim, a busca é um serviço que pode ser implantado em qualquer uma das milhões de pontas da Internet. Como qualquer um pode oferecer os serviços que quiser a partir da sua ponta, sites de busca competem entre si, o que significa escolha para os usuários e inovações constantes.

Sites de busca são apenas um exemplo. Porque tudo que a Internet faz é jogar bits de uma ponta para outra, inventores podem fazer qualquer coisa que puderem imaginar, contando com a Internet para mover os dados para eles. Você não precisa pedir permissão ao dono da Internet ou ao administrador de sistema ou ao Vice-Presidente de Priorização de Serviços. Se você tem uma idéia, basta executá-la. E toda vez que você faz isso, o valor da Internet sobe.

A Internet criou um mercado livre para inovações. Esta é a chave para o valor da Internet. Do mesmo modo…

6. O dinheiro se muda para os subúrbios.

Se todo o valor da Internet está na sua periferia, a conexão Internet em si deve virar uma função primária, uma commodity. E deve-se permitir que isso aconteça.

Prover commodities é um bom negócio, mas qualquer tentativa de adicionar valor à própria Internet deve ser combatida. Para ser específico: aqueles que fornecem conectividade Internet inevitavelmente vão querer prover conteúdo e serviços também, porque a conectividade apenas terá preço muito reduzido. Mantendo essas funções separadas, vamos permitir que o mercado estabeleça preços que maximizem o acesso e que maximizem inovações em serviços e conteúdo.

7. Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas. (“The end of the world? Nah, the world of ends.”)

Quando Craig Burton descreve a arquitetura burra da Internet como uma esfera oca composta inteiramente de pontas, ele está usando uma imagem que mostra o que é mais extraordinário sobre a arquitetura da Internet: retire o valor do centro e você viabilizará um crescimento louco de valor nas pontas interconectadas. Porque, claro, se todas as pontas estão conectadas, cada uma com cada uma e cada uma a todas, as pontas deixam de ser pontos finais.

E o que nós, pontas, fazemos? Qualquer coisa que pode ser feita por qualquer um que quer mover bits.

Notou nosso orgulho em dizer “qualquer coisa” e “qualquer um”? Isso decorre diretamente da arquitetura simples e burra da Internet.

Porque a Internet é um acordo, não pertence a nenhuma pessoa ou grupo. Não às empresas estabelecidas que operam a espinha dorsal (“backbone”). Não aos provedores que nos fornecem conexões. Não às empresas de “hosting” que nos alugam servidores. Não às associações de indústrias que acreditam que sua sobrevivência é ameaçada pelo que nós outros fazemos na Internet. Não a qualquer governo, não interessa quão sinceramente acredita que está tentando manter seus cidadãos seguros e complacentes.

Conectar à Internet é concordar em crescer o valor na periferia. E aí algo realmente interessante acontece. Todos estamos igualmente conectados. A distância não importa. Os obstáculos desaparecem e pela primeira vez a necessidade humana de conectar pode ser realizada sem barreiras artificiais.

A Internet nos dá os meios de nos tornarmos um mundo de pontas pela primeira vez.

8. As três virtudes da Internet

Esses são os fatos sobre a Internet. Como avisamos, é tudo muito simples.

Mas o que significa para nosso comportamento – e, mais importante, o comportamento das megacorporações e governos que até então agiam como se a Internet fosse deles?

Aqui estão três regras básicas de comportamento que estão diretamente ligadas à natureza básica da Internet:

a. Ninguém é dono.

b. Todos podem usá-la.

c. Qualquer um pode melhorá-la.

Vamos olhar cada uma de perto…

8a. Ninguém é dono.

Ninguém pode ser dono da Internet, mesmo as empresas por cujos “fios” ela passa, porque é um acordo, não uma coisa. A Internet não só está no domínio público, ela é um domínio público.

E isso é uma boa coisa:

– A Internet é um recurso confiável. Podemos montar empresas sem nos preocupar que a Internet SA vai nos forçar a atualizar, dobrar o preço depois de assinarmos, ou ser comprada por um dos nossos competidores.

– Não precisamos nos preocupar que partes dela só funcionarão com certo provedor e outras partes só com outro provedor, como acontece com celulares, por exemplo.

– Não temos que nos preocupar que suas funções básicas só funcionarão com a “plataforma” da Microsoft, Apple ou AOL – porque aquelas ficam embaixo destas, fora de controle proprietário.

– A manutenção da Internet está distribuída entre todos usuários, não concentrada nas mãos de um provedor que pode quebrar, e nós todos juntos somos um recurso mais robusto do que qualquer grupo centralizado poderia ser.

8b. Todos podem usá-la.

A Internet foi projetada para incluir todos os habitantes do planeta.

Certo, hoje apenas uma fração da população – pouco mais de 600 milhões de pessoas – está conectada à Internet. Então – “podem” na frase “todos podem usá-la” – se sujeita às variações miseráveis da sorte. Mas, se você tem a sorte de ser rico o suficiente para ter uma conexão e um dispositivo que se conecta, a Internet em si não impõe obstáculos à sua participação. Você não precisa de um administrador de sistemas que se digne deixá-lo participar. A Internet, deliberadamente, deixa permissões do lado de fora do sistema.

É por isso que a Internet, para muitos de nós, tem o jeito de um recurso natural. Nós nos aproveitamos dela como se fosse uma parte da natureza humana que estava esperando aparecer – tanto quanto falar e escrever agora fazem parte do que significa ser humano.

8c. Qualquer um pode melhorá-la.

Qualquer um pode fazer a Internet um lugar melhor de viver, trabalhar, e criar filhos. Para piorá-la, precisa-se de alguém extremamente estúpido com uma vontade de ferro.

Há duas maneiras de melhorá-la. Primeiro, você pode montar um serviço na periferia da Internet que esteja disponível para quem queira usá-lo. Faça de graça, faça as pessoas pagarem por ele, coloque uma marmita para receber moedinhas, qualquer coisa.

Segundo, você pode fazer algo ainda mais importante: habilite um conjunto novo de serviços de periferia inventando um novo acordo. Foi assim que se criou o e-mail. E newsgroups. E mesmo a Web. Os criadores destes serviços não fizeram uma simples aplicação final, e certamente não mexeram no protocolo da Internet em si. Em vez disso, inventaram protocolos novos que usam a Internet do modo que ela existe, do mesmo modo que o acordo de como encodificar imagens em papel permitiu às máquinas de fax usar linhas telefônicas sem a necessidade de mudar o sistema telefônico em si.

Lembre-se, porém, que se você inventar um novo acordo, para que ele gere valor tão rapidamente quanto a própria Internet, ele deve ser aberto, sem donos, e para todo o mundo. É exatamente por isso que os sistemas de mensagens instantâneas não conseguiram atingir seu potencial: os sistemas atuais – AIM e ICQ da AOL e MSN Messenger da Microsoft – são territórios particulares que podem rodar em cima da Internet, mas não são parte da Internet. Quando AOL e Microsoft decidirem rodar seus sistemas de mensagens em cima de um protocolo burro que não tem dono e que qualquer um pode usar, terão aumentado grandemente o valor da Internet. Enquanto isso, eles apenas estão sendo burros, e não no bom sentido.

9. Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?

Seria porque as três virtudes da Internet são a antítese do modo como governos e empresas vêem o mundo?

Ninguém é seu dono: empresas se definem pela sua propriedade, e governos se definem pelo que controlam.

Todos podem usá-la: nas empresas, vender algo significa transferir direitos exclusivos de uso do vendedor para o comprador; nos governos, fazer leis significa impor restrições às pessoas.

Qualquer um pode melhorá-la: empresas e governos valorizam funções exclusivas; apenas certas pessoas podem fazer certas coisas, fazer as alterações corretas.

Empresas e governos pela sua própria natureza são propensas a entender erradamente a natureza da Internet.

Há outra razão porque a Internet não se explicou muito bem: as grandes empresas preferem ficar nos dizendo que a Internet é apenas uma televisão lenta.

A Internet tem sido demais como Walt Whitman, que no poema “Cantiga de mim mesmo” (“Song of myself”) disse: “Não me preocupo em ser entendido. Eu vejo que as leis elementares nunca se desculpam.”

De outro lado, as leis elementares da Internet nunca pensaram que haveria pessoas tentando basear suas carreiras em não entendê-las.

10. Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.

As empresas cujo valor veio de distribuir conteúdos em formatos que o mercado não quer mais – estão escutando, gravadoras? – podem parar de pensar que bits são átomos ultra-leves. Vocês nunca vão nos impedir de copiar os bits que quisermos. Em vez disso, por que não nos dar razões para preferir comprar música de vocês? Poderíamos até ajudá-los a vender, se nos pedissem.

Os funcionários públicos que confundem o valor da Internet com o valor dos seus conteúdos poderiam entender que, mexendo no centro da Internet, estão na verdade reduzindo seu valor. Na verdade, talvez poderiam entender que ter um sistema que transporta todos os bits igualmente, sem censura de governos e indústrias, é a força mais poderosa já vista a favor da democracia e dos mercados abertos.

Os provedores existentes de serviços de rede – dica: começa com “tele” e termina com “comunicações” – poderiam aceitar que a rede burra vai engolir as suas redes espertas. Eles poderiam engolir essa pílula agora em vez de gastar centenas de bilhões de dólares para retardar o processo e lutar contra o inevitável.

As agências governamentais responsáveis pela alocação de espectro poderiam notar que o valor do espectro aberto é o mesmo valor real da Internet.

Os que querem censurar idéias poderiam entender que a Internet nunca conseguiria distinguir um bit bom de um bit mau, em qualquer circunstância. Qualquer censura teria que ser feita nas pontas da Internet – e nunca vai funcionar bem.

Talvez empresas que pensam que podem nos forçar a escutar suas mensagens – seus banners e telas intrometidas que se superpõem às páginas que estamos tentando ler – entendam que nossa habilidade de pular de site em site faz parte da infraestrutura da Web. Elas poderiam simplesmente abrir páginas dizendo “Olá! Não entendemos a Internet. E aliás, te odiamos.”

Chega disso. Chega de bater nossas cabeças contra os fatos da vida na Internet.

Não temos nada a perder, apenas nossa burrice.