Crônica "Pindicos do Pindorama", publicada no Rascunho em 01/09/2022. https://rascunho.com.br/liberado/pindicos-do-pindorama/

Abro o Word de novo. Já ultrapassei todos os prazos razoáveis de envio da crônica, o editor vai me matar.

Não é que minha vida ande parada, muito pelo contrário. É, justamente, tanta coisa importante e, citando Eisenhower, nada urgente, que não estou dando conta de fazer a curadoria necessária para escrever algo que preste.

Eisenhower por sua vez citava o Dr. J. Roscoe Miller, presidente da Northwestern University, mas eu conheci a frase “I have two kinds of problems: the urgent and the important. The urgent are not important, and the important are never urgent” por memes, então é o que temos para hoje.

Ou seja, caríssimo leitor, nessa semana teremos mais bobagens que de hábito.

Recebi a minha primeira unsolicited dick pic no Facebook e a culpa é de vocês. Explico. Eu estava sendo super seletiva em quem adicionava. Até que recebi uma mensagem simpática de um leitor e me dei conta de que esse era um canal importante de contato com vocês. Passei a aceitar todo mundo. Ok, ok, a culpa é minha. Voltei para o modo seletivo. Então, se você quiser me adicionar no Face e não tem nenhuma, nenhuminha, nenhuma mesmo, vontade de me mandar fotos íntimas de qualquer natureza, spam ou propaganda política, manda mensagem falando que é leitor do Rascunho que eu aceito.

Voltando ao membro em exposição, fico pensando no que leva um ser humano a ter tanto orgulho dessa parte em específico. Não é nem mesmo lá muito elegante, minha gente, desculpe aí.

Tem uma cena do seriado Big Bang Theory em que o Sheldon, personagem mais que principal, não compreende o mérito em se comemorar aniversário, já que não é uma conquista realizada pelo aniversariante, que apenas saiu de um útero. Não chego a tanto, mas tenho essa relação com dick pics. Amigo, por mais lindico que seja seu pindico, isso aí é, no máximo, uma boa genética.

Dá uma preguiça, sabe. Homem é uma coisa que precisa acabar. O que tem aí como padrão não deu muito certo, não. Quem sabe se a gente falar que é meio como o Império Romano, que morre para viver para sempre? Viram? Sou capaz de aprender alguma coisa de marketing.

Na dick pic, aparecia um azulejo ao fundo. Era daquele azul e branco português, todo desenhado. Deu vontade de responder pro gajo que ele teria muito mais sucesso se mandasse fotos do azulejo. Não respondi porque seria mentira. Ele não teria sucesso de toda forma. Mas o azulejo era lindo.

Eu tenho um certo fetiche por essas cerâmicas portuguesas. Eu e a Adriana Varejão.

Ninguém passa impune por uma infância em Botafogo.

Bloqueio, denuncio como assédio, mas sei que nada vai acontecer. Nunca acontece. A gente denuncia os fascistas, os machistas, os misóginos, os racistas, os homofóbicos, os… A gente denuncia os escrotos de uma forma geral e nada acontece.

32% minha gente. Um terço da população. É assustador. Dá um desânimo danado.

Prometi bobagens, desculpe.

Crônica publicada no Rascunho em 01/09/2022